Culpa dos intervenientes?!

Em leituras, confrontei-me com algumas das vantagens da utilização de ambientes virtuais de 3 dimensões, também designados de mundos virtuais, como é o caso do Second Life, no ensino a distância (EaD), em comparação com tecnologias habitualmente utilizadas para esse propósito.

Antes de serem apresentadas essas vantagens, foi feita uma reflexão sobre o modelo de ensino tradicional, ou presencial,e o EaD, nomeadamente o e-learning.

Para os autores, a grande diferença entre estes dois tipos de ensino, é o estabelecimento de uma comunidade.

O e-learning não promove a interacção entre professor e alunos e entre os próprios alunos, especialmente de forma mais informal. O contacto entre os intervenientes no processo de ensino pode ser muito escasso, e a comunicação demorar mais tempo do que o desejado, já que essa é feita maioritariamente de forma assíncrona.

Os momentos de comunicação síncrona, como os chats, são escassos, e mesmo quando existem, o aluno não se sente à vontade para participar…pois sente-se perante verdadeiros estranhos.

Outro aspecto que, segundo os mesmos autores, o e-learning não promove, é a competição saudável entre os alunos, e a ajuda que cada um pode dar ao outro, como poderá acontecer numa sala de aula tradicional.

Ora, perante isto…esqueci os mundos virtuais…e reflecti sobre o ultimo ano, em que frequentei aulas à distância, num método de b-learning.

E..sinto-me…uma sortuda.

Se, inicialmente, algumas destas situações já enunciadas se verificaram, ao longo do tempo (e não foi necessário muito), a comunidade foi crescendo, e trabalhando como isso mesmo, uma comunidade.

Reconheço que o sucesso do trabalho realizado se deve a diferentes aspectos e estratégias utilizadas:

– aos professores (maioria deles), que realizaram um papel de e-moderadores muito bom, promovendo continuamente a interacção entre eles e os alunos e entre os próprios alunos;

– aos alunos (nós todos! grande grupo:D) que entendemos bem como as coisas deveriam funcionar para o nosso melhor, e nos tornámos mais exigentes que os próprios professores;

– às ferramentas de comunicação síncrona…como o msn, skype, gtalk, que possibilitaram a troca contínua de ajuda entre os elementos dos diferentes grupos de trabalho (também aqui houve a tal competição saudável, mas sobretudo uma entreajuda fantástica de alguns elementos desta comunidade)

– às ferramentas da web 2.0 , como os blogs e o wiki, que tão bem foi integrado no nosso (meu) dia-a dia!

Todos, ou a maioria dos itens apontados como negativos, na utilização do e-learning, não se verificaram neste caso muito concreto. Culpa dos intervenientes?!

Acredito que sim!

(fica um abraço apertado a vocês todos. apesar do intenso ano de trabalho..já tenho saudades!

e está quase ai o jantar do registo dos projectos! :D)

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2 Responses to “Culpa dos intervenientes?!”


  1. 1 mónica September 17, 2007 at 12:34 pm

    Li o teu post umas três vezes antes de escrever este comentário, o que prova o meu interesse neste assunto 🙂
    As comunidades e as ferramentas que as ajudam a sustentar são um dos meus amores, como sabes. Ao longo deste ano observei uma série de situações (que vou procurar “esquecer” quando começar o estudo) que me deixaram curiosa:
    – as participações dos alunos reflectem as participações dos docentes (um post de um dos profs levava a uma série de comments, mas depois a discussão abrandava até desaparecer);
    – o facto de sabermos que estamos a ser avaliados pode influenciar a nossa participação (excepção feita à “Praia”, que se mantém um foco de participação mesmo passado todo este tempo. será culpa do docente?);
    – a comunicação feita na presença de moderadores (seja no BB seja nos blogs) é quase sempre mais reflectida/ cuidada – aqui considero que as ferramentas assíncronas promovem mais as comunidades, no sentido de partilha reflectida, que os msn e outros, mais para a troca imediata de ideias;
    – e outras coisas, tantas coisas 🙂
    Uma coisa que me também me interessa bastante, e que reflecte um pouco o à-vontade das pessoas nestas comunicações, é assinarem os posts colocando o endereço do seu blog. Não sei se é automático ou reflectido, mas acho curioso (principalmente porque eu, por vergonha ou outra paranóia, não o faço) e gosto imenso de clicar nesses nomes e descobrir o que interessa a essas pessoas, o que têm no seu blogroll… Um dia destes faço uma árvore, para ver que imagem dá 😀
    Quanto ao SL… pois ainda não sei. Mantenho as mesmas reservas com as mesmas pessoas, falo à vontade com quem não conheço e brinco com os amigos do costume, pelo que ainda não tenho a percepção se é melhor ou pior que as outras ferramentas. É esperar mais um tempinho 🙂

  2. 2 Carlos September 28, 2007 at 10:21 am

    Olá!

    Acho que posso ser considerado um dos culpados de o MMEd contrariar claramente os resultados das tuas leituras e por isso obrigado pela referência (e ao naPraia por parte da Mónica).

    A minha opinião é que o problema desses estudos esquecem que mais importante do que os “chavões” (eLearning, bLearning, Web2.0, blogs, wikis, mundos virtuais,…) são as estratégias pedagógicas que promovemos (ou conseguimos promover) com os alunos.

    Quanto ao SL ainda tudo é, pelo menos para mim, novo… e por isso mesmo um grande desafio. Por exemplo, nas minhas experiências, anteriores como docente do MMEd, sempre tive uma posição muito reticente relativamente à utilização das comunicações síncronas (consumiam demasiado tempo..). Mas agora o SL veio colocar isso em causa… e por isso sinto a necessidade de reflectir para experimentar novos cenários e estratégias.

    Os alunos da próxima edição do MMEd que se preparem… LOL


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