Em directo de uma sala de professores…

Uma: Eu sou professora titular e quero que venha o quadro interactivo para ser a melhor professora do ano.

Outra: Quadro interactivo? Mas expliquem-me lá o que é isso?

 …

Uma: Mas ele ganhou o prémio? É o melhor em quê?

Ainda outra: Tem muitas coisas feitas na internet. Para usar com a matemática.

Outra depois: Ele que venha cá trabalhar com os nossos alunos.

 …

(pergunto eu…mas o que faz a velharia para mudar a situação. Tudo bem que os alunos não têm comida, muitos não têm casa…mas vão continuar sempre a ser os coitadinhos? Será que a utilização do quadro interactivo, ou mesmo dos computadores, que até existem na escola, não os poderia motivar para os estudos e pode melhorar a sua situação?! Quebrar com o tremendo absentismo e fazê-los gostar de aprender?!)

 …

Uma: A professora ganhou o prémio de inovação porque passa a noite a tomar conta das experiências na escola! Vamos todas tomar conta do feijão a germinar.

Outra: Eu cá tenho filhos e gosto de os ver crescer em casa, descansada.

 …

De facto concordo, todos nós temos uma vida própria, vida pessoal…mas e a sua vida profissional. Qual o gozo de vir às 10, sair Às 13…e acabou mais um dia de aulas?! Assinei o livro de ponto, dei teste, corrigi, entreguei…dei notas… que venha mais um ano.

mas o que mais me choca, nem é esta sala de professores…mas mais estas palavras num professor com vinte e poucos, trinta anos! 

Hahahaha..esta é a melhor…

Discutindo mestrados, Bolonha, licenciaturas…

Não quero ficar por aqui…é preciso inovar…

(inovar é igual a quê, compensações na carreira, ao fim do mês!?)

 

Chega de transmissão. estes fins de tarde são tão produtivos na sala de professores! 

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9 Responses to “Em directo de uma sala de professores…”


  1. 1 João Lima November 14, 2007 at 6:57 pm

    “Ser professor é ser artista, malabarista,
    pintor, escultor, doutor, musicólogo, psicólogo…

    É ser mãe, pai, irmã, avó,
    é ser “palhaço”, estilhaço,
    espantalho, bagaço…

    É ser ciência e paciência…
    É ser informação, é ser acção.
    É ser bússola, é ser farol.
    É ser luz, é ser sol.

    Incompreendido?… Muito.
    Defendido?… Nunca.
    O seu filho passou?… Claro, é um génio.
    Não passou? O professor não ensinou…

    Ser professor…
    É um vício ou vocação?
    É outra coisa…
    É ter nas mãos o mundo de amanhã.
    Amanhã, os alunos vão-se…

    E ele, o mestre, de mãos vazias,
    fica com o coração partido.
    Recebe novas turmas,
    novos olhinhos
    ávidos de cultura.

    E ele, o professor
    vai “despejando” com toda a ternura
    o saber, a orientação
    nas cabecinhas novas que amanhã
    luzirão no firmamento da pátria.

    Fica a saudade… a AMIZADE.
    O pagamento real?
    Só na eternidade!”

    Há salas onde não é assim… São é virtuais 🙂 Como esta:
    http://www.saladosprofessores.com/postt1060.html

    E lembra-te que podes não mudar o mundo, mas se ajudares uma só pessoa acordas sempre a pensar que vale sempre a pena tudo o que se faz.

    Até breve,
    JL

  2. 2 RicardoC November 14, 2007 at 9:21 pm

    Olá!

    As salas de professores são sítios onde se ouve mesmo de tudo… Deve ser por isso que eu não as frequento e, quando entro, fujo o mais depressa que puder! 😀

    Agora a sério, gostei da parte em que falou da vida pessoal e da vida profissional: o equilíbrio é sempre complicado e tem grande tendência a resvalar mas é possível e todos os grandes professores que conheci já tinham descoberto a fórmula mágica para o fazer.

    Boa sorte (e muita pachorra!),
    RC

  3. 3 Vânia Coutinho November 15, 2007 at 4:33 am

    De repente, revi a minha expressão facial (de estupefacção) sempre que acompanhava (em silêncio) algumas conversas desenvolvidas numa dessas salas durante o meu ano de estágio… A sério que me senti novamente a tomar chá e a comer bolachas com aquelas professoras… Senti até o esforço que fiz, muitas vezes, para me controlar, manter o silêncio e disfarçar os pensamentos e as vontades de ter comportamentos “medonhos” 😀

  4. 4 RicardoC November 15, 2007 at 10:26 am

    Olá Vânia,

    Falaste em estágio e fizeste-me lembrar o meu… há tantos anos atrás…

    Eu tive a sorte de ter uma excelente orientadora de estágio que começou por dizer que pouco iríamos aprender com ela e que ela é que iria aprender muito connosco. Claro que não foi verdade, aprendemos muito mais com ela do que ela connosco mas o facto de nos tratarmos todos por tu e de ela nos receber na sua própria casa e partilhar “montanhas” de material tornou a experiência estágio numa vivência inesquecível.

    Agora sou eu – há já uns anos – orientador de estágio e sim, tratamo-nos todos por tu (o que causa sempre muita estranheza quer nos estagiários quer nos outros envolvidos), os estagiários vão a minha casa ou vou eu a casa deles e sou eu quem os ajuda tanto quanto me é possível.

    Inté!
    RC

  5. 5 Hugo November 15, 2007 at 6:38 pm

    É mesmo esta uma realidade comum por esse país fora… Infelizmente…

  6. 6 Vânia Coutinho November 16, 2007 at 1:06 am

    Olá, Ricardo!

    Relativamente à questão de todos se tratarem por “tu”… bem, não imaginas como me agrada saber isso! Sou completamente apologista dessa forma de tratamento. A minha orientadora institucional (ou a minha mestre) tinha uma relação espectacular connosco, mas nunca nos deixou de tratar por “você”. Questionei-me várias vezes porquê. Isto porque, apesar de me sentir muito bem com ela, sentia sempre que não deixava de existir ali uma espécie de “barreira” que, por vezes, apetecia saltar! Com os meus meninos, deixo-os (ou faço mesmo questão) que me tratem por tu. No entanto, já me questionaram se esta não será uma forma de habituar “mal” os meninos, já que eles podem pensar que podem tratar qualquer professor desta forma e os professores, no geral e sobretudo a partir do 5º ano, tendem a não permitir outro tratamento senão o “você”. Ultimamente, esta situação tem-me feito pensar no que será melhor para eles… no futuro, porque, no presento, acredito mesmo que é o “tu”.

    Cumps,
    Vânia

  7. 7 RicardoC November 16, 2007 at 4:17 pm

    Olá Vânia!

    Interessante a tua reflexão, sobretudo quando pensamos que os espanhóis são muito mais descontraídos do que nós e se tratam todos por tu (como se viu no já muito famoso ¿por qué no te callas? de Sua Majestade o Rei Dom Juan Carlos I a Hugo Chávez).

    Claro que fazendo agora o papel de advogado do diabo, os ingleses também se tratam por tu e todos sabemos em que estado está a educação por aquelas terras… 😉

    RC

    PS. A frase do Rei até já e toque de telemóvel: http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/165752

    PS2. Chavez é que não achou graça nenhuma:
    http://sic.sapo.pt/online/noticias/mundo/20071114Chavez++responde+ao+Rei.htm

  8. 8 ib November 19, 2007 at 4:35 pm

    Boa Olga!

    Já agora… caso a reportagem sobre o “tal” professor tenha escapado a alguém, deixo aqui o link:
    http://sic.sapo.pt/online/scripts/2007/videopopup.aspx?videoId=E77EB2D0-DD7F-4EC3-A90B-86B0CC46B52B

    …pode dar sempre jeito para essas professoras, e muitas outras e outros, poderem saber do que falam, e eventualmente até fazerem alguma pesquisa acerca do “tal” professor! 🙂

    Já agora aproveito para reforçar… Parabéns, Arsélio!

    ib

  9. 9 ib November 19, 2007 at 4:39 pm

    Desculpem, o link não ficou a funcionar directo…
    podem fazer sempre o copy/paste para o browser, ou visualizar a dita reportagem neste outro link:
    http://immb.multiply.com/video/item/5

    bjs
    ib


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